
A Netflix não é a "dona" das obras em seu catálogo (nem mesmo de suas produções originais). Para cada filme ou série ela contrata uma licença destreaming para poder exibi-los. Em geral, toda licença possui uma restrição geográfica. Com isso, a Netflix pode obter a licença de um título nos EUA, enquanto o mesmo título esteja licenciado exclusivamente a outra empresa no Brasil ou outros países.
Se a Netflix quiser obter a licença de um título já licenciado a outra empresa em um dado país, não há muito o que ela possa fazer exceto aguardar ela expirar para então tentar obtê-la. Ainda assim, outras empresas podem conseguir essa licença.
Para alguns títulos, como suas produções originais (House of Cards, Orange Is the New Black, etc.) a Netflix consegue obter uma licença para todos os países onde opera, mas não nos outros. Antes da Netflix iniciar suas operações na França, um canal de TV francês obteve a licença de House of Cards, o que impede a Netflix de exibir sua produção original nesse país.
Além disso, com capital limitado para investir, nenhuma empresa conseguiria licenciar tudo o que já foi produzido, principalmente os títulos mais populares (e que custam mais caro). A Netflix precisa encontrar um equilíbrio entre o investimento feito no catálogo e o retorno conseguido com as assinaturas, e isto é mais difícil do que parece: oferecendo mais e melhores títulos ela pode obter mais assinantes, mas se ela não conseguir assinantes o suficiente, não conseguirá pagar as licenças dos títulos. Em resumo, o tamanho do catálogo depende do número de assinantes.
Nos EUA a Netflix opera desde 1997, tem hoje mais de 33 milhões de assinantes e gera lucro, enquanto no exterior ela opera desde 2010, tem quase 11 milhões de assinantes em 40 países e gera prejuízo. Portanto, é esperado que o catálogo da Netflix nos EUA seja muito mais abrangente do que o de qualquer outro país.


0 comentários:
Postar um comentário